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O Livro Perdido #1 - Caminhos Cruzados

(Ano 1335 a.I.)   Já é noite e faz muito frio. Sentado no alto de uma árvore um jovem olha para o céu completamente alheio ao resto do mundo.   "Como eu vim parar aqui?" diz ele para si mesmo após um longo suspiro.   Sozinho na copa da árvore ele vislumbra a imensidão do universo e pensa na grandeza do mundo. O vento sopra de forma branda e gentil, mesmo assim ajuda a aumentar a sensação de frio e solidão.   "Como?" ele se questiona.   Ele se aconchega o mais confortável possível na copa da árvore, tentando ao máximo se aproveitar da folhagem para aliviar a sensação de frio. Não é nem de longe a melhor cama onde já dormiu, mas serve. Acostumado à solidão e a dormir em locais estranhos, ele apenas pensa no que fará no dia seguinte, sobrevivendo um dia após o outro.   Conforme começa a adormecer e seus olhos ficam pesados ele lembra de casa, já muito distante. É uma das poucas memórias que lhe traz conforto em meio a um turbilhão de sofrimento. Enquanto lembranças de suas viagens começam a assombrar sua mente ele escuta um pequeno barulho.   O barulho se intensifica! Parece ser uma respiração forte e apressada.   O jovem lenta e silenciosamente começa a descer pelos galhos da árvore. Parada ao pé dela estava um pequeno vulto que se encolhe perto da base do caule. Olhando cautelosamente ele percebe que não foi visto. A figura olha nervosamente para todos os lados como se esperasse por algo acontecer.   Subitamente três sombras maiores que a criatura ao pé da árvore saltam por detrás da vegetação. A luz é vaga, mas isso nunca foi um problema para ele que apenas observa tentando entender a situação.   A criatura abaixo dele remove seu capuz mostrando feições femininas claramente humanoides, porém de estatura muito menor que um humano comum. Uma criança, talvez?   "Vocês deviam se afastar! Eu prefiro não fazer as coisas desse jeito." A criatura humanoide diz enquanto puxa uma maça que estava presa à sua cintura, antes oculta pela capa que foi largada no chão. Na mão esquerda ela segura o que parece ser um livro.   As sombras não se intimidam e continuam se aproximando. Agora mais perto ele consegue distinguir melhor sua aparência. Criaturas reptilianas com grande envergadura e corpos magros, todos trazem uma espada com a lâmina serrada em uma de suas mãos.   "Pra trás!" Ela grita.   Os répteis agora já muito perto atacam todos ao mesmo tempo. Muitos golpes são desferidos e os répteis parecem ter dificuldade de acertá-la por conta de seu tamanho diminuto. Ela consegue derrubar um deles, mas parece estar com dificuldades para lutar. Seu braço esquerdo em momento algum afrouxa a pressão para segurar o livro e ela parece disposta a tudo para protegê-lo.   O jovem decide então que aquela não é uma luta justa. Ele se atira em cima de um dos répteis enquanto puxa duas adagas que estavam presas em sua cintura. A criatura visivelmente surpresa solta um grunhido enquanto ele finca suas adagas no pescoço dela.   "Atrás de você!" Ele ouve a tempo de esquivar do golpe de espada da criatura remanescente.   Agora em desvantagem o réptil parece estar avaliando a situação. Ele então se vira para correr em direção à mata fechada, mas é atingido subitamente por um raio de luz que cruza rapidamente o local do combate, fazendo com que a criatura caia no chão.   Ele se vira a tempo de ver um resquício de luz se apagar da maça da pequena criatura humanoide à sua frente.   "Quem é você?" Ela grita. "Se está atrás de mim também, saiba que não vai ser fácil me derrubar!"   "Não seria uma queda muito grande..." ele zomba. "Eu sou um ninguém que por acaso estava dormindo bem acima de você".   Os dois se encaram por um momento em silêncio, quando o livro que ela traz na mão esquerda começa a brilhar. O que se inicia como uma luz pálida e fraca se intensifica, iluminando a pequena clareira em que se encontram. Ela olha para o livro receosa, mas parece baixar a guarda.   "Quem é você?" Ela repete a pergunta agora com um tom de voz mais calmo. "O que é você?"   O silêncio volta à clareira por mais algum tempo, quebrado pela voz do jovem alto, de pele escura, cabelos prateados e orelhas pontudas.   "Meu nome é Zyn e eu não sou desse mundo"


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